segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dia Internacional do Teatro


Confira as fotos do ‘Dia Internacional do Teatro’, que contou com a participação dos bolsistas da ONG Ribeirão Em Cena na manifestação nacional. O grupo leu o texto “Carta ao ator”, de Plínio Marcos, em frente a Esplanada do Theatro Pedro II. Na caminhada, do SantelisaVale ao calçadão, os bolsistas entregaram panfletos e conversaram com as pessoas sobre a manifestação e a importância do teatro na cultura da sociedade. A comissão organizadora do manifesto produziu uma lista com reivindicações de incentivo à cultura que foi encaminhada ao presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Confira as fotos em: http://picasaweb.google.com.br/ribeiraoemcena/DiaInternacionalDoTeatro#

A delirante provocação de Dario Fo

Crítica de Jefferson Del Rios, para o Estado de São Paulo (03/04/09)

A despedida de um suicida tem sempre algo de sinistro. Em determinada circunstância faz história, como no caso da Carta Testamento de Getúlio Vargas, em 1954, e as proclamações finais dos presidentes chilenos José Manuel Balmaceda (1886-91) e Salvador Allende (1973). É, também, um repositório de dados psicanalíticos; e, surpreendentemente, pode ter algo de tragicomédia, como Nelson Rodrigues demonstrou em Toda Nudez Será Castigada.

Os italianos Dario Fo e Franca Rame, no entanto, tomaram o assunto para uma delirante provocação teatral chamada Uma Giornata Qualunque - aqui traduzida para Um Dia (Quase Igual) aos Outros. Neste enredo, uma mulher resolve deixar ao marido não a velha carta folhetinesca, mas um vídeo antes de cometer o que a crônica policial antiga definia com "tresloucado gesto".

A descontrolada senhora arma-se de uma parafernália eletrônica para registrar em imagens uma lista de cobranças. Evidentemente, sendo Fo e Rame, um casal de artistas críticos, nada vai dar certo. Sobrará, isto sim, uma saraivada de ironias para a paranoia contemporânea, expressa em hábitos de consumo, gestos sociais vazios, alienação, enfim. Os autores recuperam os versos do malicioso samba Jornal da Morte, de Miguel Gustavo: "Tresloucada, seminua/ Jogou-se do oitavo andar/ Porque o noivo não comprava/ Maconha pra ela fumar."

Nossa suicida se mete numa filmagem complicada enquanto atende a telefonemas.

Vai-se divertir. Nesse "dia quase igual", tudo conspira para a quase vítima ser ridicularizada pelo seu despautério. Chegam telefonemas carregados de cotidiano externo normal e imprevistos esdrúxulos para que ela se sinta risível em seus pequenos problemas. Para arrematar o caos, não faltará um assalto absurdo.

A que, afinal leva tudo isso? À banalidade de uma vida sem projeto existencial. A peça é, por esse viés, sutilmente filosófica, freudiana e politicamente anárquica. Típica provocação ideológica de autores que fazem a reinvenção da comédia popular italiana (a commédia dell?arte). Obra de difícil transposição geográfica e, sobretudo, cultural, porque construída com a linguagem italiana das ruas, repleta de invenções dialetais e gírias, tudo em um ritmo circense que pede intérpretes realmente afinados como esse estilo. Por sorte, a tradução e direção ficaram nas mãos de Neyde Veneziano, talvez a maior conhecedora brasileira do teatro da imponente atriz Franca Rama e seu marido, o múltiplo Dário Fo, autor, intérprete, agitador cultural e político (prêmio Nobel de Literatura de 1997). Especialista em teatro musical e de revista, ela conhece a dupla. Esteve com eles na Itália e realizou, na Unicamp, uma tese de doutorado sobre sua arte. Neyde é uma mulher apaixonada pelo que faz, perfeccionista, obstinada e sabe escolher com quem trabalhar. O resultado é uma "comédia para se pensar", absolutamente maluca, que confirma o sábio humorista Barão de Itararé (1895-1971): "O mundo está ficando louco, e eu também."

O espetáculo é conduzido por Débora Duboc, uma das melhores atrizes da sua geração, aqui submetida a um teste bem duro: o de praticamente não ter parceiros com os quais contracenar (exceto a cena dos assaltantes). É quase doloroso para um intérprete, sozinho no palco, ter de se comunicar com vozes, imagens projetadas numa tela, efeitos que desviam sua energia e dão pouco em troca. O desafio é maior quando essas vozes e figuras virtuais são de artistas tarimbados em comédia (Cláudia Mello, Eliana Rocha, Marcelo Médici, Elias Andreatto e Grace Gianoukas, entre outros). Pois Débora se sai bem mesmo com a concorrência de vozes cômicas e aparelhos de som, imagem e luz (que podem até, eventualmente, falhar). Há ainda um solo bem engraçado dos meliantes interpretados pelos ótimos Thiago Adorno e Fernando Fecchio dentro do jargão "mano-periferia".

Não é todo dia que se tem humor sustentado na inteligência. Satirizar fraquezas humanas é uma forma de ajudar os que se atrapalham na vida. Pode-se interpretar esse gesto como solidariedade.

Serviço:
Um Dia (Quase) Igual aos Outros. 70 min. 14 anos. CCBB. R. Álvares Penteado, 112, telefone 3113-3651. 6.ª e sáb., 19h30; dom., 18 h. R$ 15. Até domingo

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090403/not_imp349224,0.php

Débora Duboc em entrevista para a UOL



Fonte: http://mais.uol.com.br/view/1xu2xa5tnz3h/metropolis--montagem-de-um-dia-quase-igual-aos-outros-04023370D4A17326?types=A&

segunda-feira, 30 de março de 2009

DITIRAMBO ABRE MOSTRA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA

Escolas, grupos independentes e solos da região de Ribeirão Preto estão convidados a participar da Mostra de Experimentações no SantelisaVale

A Dança Contemporânea tem um novo espaço a partir do dia 2 de abril (quinta-feira) em Ribeirão Preto. Inspirado no projeto “Quinta com Dança”, do Centro Dragão do Mar de Fortaleza-CE, a ONG Ribeirão Em Cena realiza a I Mostra de Experimentações em Dança Contemporânea.

Na abertura, a Cia DiTirambo de Dança Contemporânea apresenta o espetáculo “Deja me que te mire”, no Espaço Cultural SantelisaVale, às 21h. O bailarino e sociólogo Carlos Fonseca é diretor da Companhia há sete anos e um dos idealizadores da Mostra. “O objetivo é criar um espaço democrático de estudo e pesquisa, a fim de construir formas alternativas para a dança e disponibilizar um lugar comum para os grupos”, explica Fonseca.

Segundo ele, a dança contemporânea pode se tornar acessível ao grande público sem cair numa banalização. “A dança é a produção de um pensamento manifesto no corpo sobre a contemporaneidade. Carregamos uma certa humildade pra criar, acertar e errar”, afirmou. Dentre seus trabalhos com a DiTirambo, destacam-se: "Beira-mar", "Se o Amanhã não chegar", "La Desintegración" (participante da II Bienal de Dança de Fortaleza), "Do fundo da Lata" (projeto SESC), "Sai da Frente!", "Rua da Canção", e os espetáculos "Dois" e "Articulações Urbanas".

Na primeira quinta-feira de cada mês, o palco recebe companhias ou solos em coreografias com duração máxima de 30 minutos. Todas as apresentações serão seguidas por debates entre elenco e público. Para a realização da Mostra será criado um conselho gestor de qualidade, formado por profissionais com notória competência na área. Esse conselho é responsável pela seleção dos grupos interessados em participar. Para se inscrever, os grupos devem enviar um vídeo com a coreografia a ser apresentada, currículo dos bailarinos e coreógrafo, além do histórico do espetáculo e das pesquisas desenvolvidas. Após a seleção, será criada uma agenda com data e horário das apresentações.

O edital para inscrições está disponível no site da ONG Ribeirão Em Cena: http://www.ribeiraoemcena.org.br/mostradanca.htm

Serviço:
Mostra de Experimentações em Dança Contemporânea
Data: 02/04 (quinta-feira), às 21h
Ingressos: R$10 e R$5
Local: Espaço Cultural SantelisaVale
Classificação livre

domingo, 29 de março de 2009

Um Dia QUASE Igual aos Outros

“Débora Duboc – atriz magistral com sólida carreira no teatro paulistano – é quem interpreta a publicitária. E ela se deleita em compor uma personagem que é um presente para uma atriz. A solidão do monólogo é quebrada com a parafernália eletrônica, na casa da personagem onde podemos ver ou ouvir Grace Gianoukas, Marco Luque, Marcelo Médici, Leonardo Medeiros, Viviane Pasmanter, Eliana Rocha, Elias Andreatto e Cláudia Melo. Todos com excelentes participações, assim como os atores Thiago Adorno e Fernando Fecchio que aparecem em cena no papel de dois hilariantes assaltantes. Há de se destacar, também, o papel de Toni Venturi, responsável pela parte audiovisual, algo que assume uma forma totalmente orgânica no espetáculo. E Neyde Veneziano orquestra com rigor esta sinfonia cênica. Todos os elementos cênicos de Um dia (quase) igual aos outros são minuciosamente dirigidos por Neyde. Tudo isso para que nós, espectadores, quando termina o espetáculo, exclamemos como a personagem de Grace Gianoukas: Uau!”
Luís Francisco Wasilewski – Aplauso Brasil

“Os segredos da comédia são os mais cobiçados, porque transcendem técnicas e truques e não são transmissíveis. O espetáculo “Um Dia QUASE Igual aos Outros” cumpre a nobre missão de divertir o espectador e o faz com esmero e correção (...)
A direção de Neyde Venziano, uma especialista no teatro de Fo e Rame, é minuciosa e contou com a participação de atores e atrizes de primeira linha, além de colaboração técnica primorosa para engendrar os suportes audiovisuais.(...)
Débora Duboc lança-se ao desafio da encenadora com destemor. Como desempenho, sua Júlia é um marco de amadurecimento na carreira, já que sustenta o tônus da comédia praticamente sozinha.”
Luiz Fernando Ramos – Ilustrada – Folha de SP

Retrato da mulher atual: bem-sucedida e faminta.
Bete Néspoli – Teatro Estréia – Caderno 2 – O Estado de SP

“A publicitária Júlia entrega a razão do suicídio: perdeu o eixo, não se adapta ao “bando de oportunistas, hipócritas, aproveitadores...camelôs que vendem dignidade, bundas e peitos de silicone”. (...)
Ao que Rame, 80, faz coro: “A vida é absurda. Guerras, violência, Bush, Berlusconi são todos improváveis vistos pelas lentes da razão. Dario e eu só aumentamos o grotesco e a loucura, pois assim é nosso teatro”
Lucas Neves – Estréia – Ilustrada – Folha de SP

“(...) Seus personagens podem ser indianos, marroquinos, brasileiros, norte-americanos, chineses e até italianos. Não importa, Dario é compreendido em qualquer parte do mundo. Como Shakespeare. Mas com uma diferença. Porque Dario faz teatro moderno e popular assumidamente, calcado na linguagem corpórea, conversando com seu público sem pudores, rompendo o ilusionismo. (...) Dario é o bufão transgressor, irônico, o maior palhaço do mundo.”
Neyde Veneziano para Gazeta Mercantil

A ótima direção de Neyde Veneziano obedece às rubricas dos autores, cujo interesse, percebe-se, é fazer um teatro em dia com as novas tecnologias, tratando um tema antiqüíssimo, embora atual, sobre as relações humanas.(...)
Para tanto contou com a colaboração do cineasta Toni Venturi e de Duda Arruk. Ambos apresentando um trabalho nota 10. O mesmo pode ser dito da iluminação de David de Brito e Vânia Nunes.
A personagem central é interpretada com o brilho de sempre por Débora Duboc. Presentes no palco estão Fernando Fecchio e Thiago Adorno que estão bem em seus papéis (...). Há quem se divirta, há quem se emocione e há quem passe por ambas as sensações.
Maria Lucia Candeias – Colunas & Notas e Aplauso Brasil

Por que ir: A peça, que faz sucesso entre os europeus há quase 20 anos, ganha primeira montagem no Brasil. A direção é de Neyde Veneziano, pesquisadora especialista na obra do dramturgo italiano.
Preste atenção: Em como a peça reúne o que há de melhor na obra do dramaturgo vencedor do Prêmio Nobel: seu humor cortante e a discussão sobre o homem contemporâneo.

Débora Duboc
11 3459-2818
www.olharimaginario.com.br

Repertório em cinema
http://br.youtube.com/watch?v=katMNgEPBOA

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ribeirão Em Cena deixa Festival de Curitiba sob aplausos de público e crítica

"Um Grito Parado no Ar" volta ao SantelisaVale nesta quinta-feira, às 21h

Um espetáculo belíssimo, denso. A opinião é do diretor e crítico de teatro paranaense Galvani Jr. sobre a encenação de Um Grito Parado No Ar, que a Cia. Ribeirão Em Cena apresentou em 4 sessões no 18 Festival de Teatro de Curitiba- Fringe.

O público também aprovou o espetáculo. Todas as sessões, aplaudidas em pé, levaram um público significativo ao Teatro Odelair Rodrigues, no centro da cidade.

Um Grito Parado no Ar recebeu em média 30 espectadores por sessão, número comemorado pelo grupo, levando-se em consideração que a Ribeirão Em Cena disputava público com mais 290 espetáculos encenados simultaneamente em dezenas de teatros da cidade.

Com esta edição o Festival de Curitiba atinge a sua maioridade. Ao completar 18 anos, o Festival, mais uma vez, transformou a capital paranaense num grande palco e atrai olhares e pessoas vindos de todas as regiões do país e do exterior. Teatro é o foco principal do evento, mas há espaço para música, festas, shows de humor e magia, debates, exposições fotográficas e experiências gastronômicas.

Em entrevista coletiva, o diretor do Festival de Curitiba Leandro Knopfholz citou algumas melhorias no Fringe: os 290 espetáculos tiveram 4 sessões cada igualmente divididas nos horários das 12h, 18h e 21h. “Todo mundo que quis vir foi acomodado de alguma maneira em Curitiba. Contamos também com dezenas de agentes e olheiros nacionais e internacionais, o que dá possibilidade de circulação para as peças do Fringe. O Fringe é o espaço que mais tem curadoria porque é feita por pessoas que assistem aos espetáculos e falam suas impressões. E o boca a boca durante o evento é um fenômeno importantíssimo para medir a aceitação do público, repercutir e dar visibilidade aos espetáculos".

De volta a Ribeirão Preto, a Cia. Ribeirão Em Cena faz duas apresentações do espetáculo de “Um Grito Parado no Ar”, nos dias 25 e 26 de março, às 21h, no Espaço Cultural SantelisaVale. Logo após a apresentação, o elenco propõe um debate com a platéia sobre os rumos do teatro em Ribeirão Preto e conversam sobre a experiência de atuar no principal Festival Internacional de Teatro do país.

Serviço:
“Um Grito Parado no Ar”
Dia: 26 de março (quinta-feira), às 21h
Local: Espaço Cultural SantelisaVale
R$10 e R$5
Reservas: (16) 3610-7770

segunda-feira, 9 de março de 2009

"UM GRITO PARADO NO AR" ANTES DO FESTIVAL DE CURITIBA

Um Grito Parado No Ar, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigida pelo jornalista Gilson Filho, tem duas apresentações marcadas para hoje (10/03) e amanhã (11/03) no Teatro Municipal de Ribeirão Preto. Na próxima semana o espetáculo será apresentado ao público no VIII Festival Internacional de Teatro de Curitiba. A renda da bilheteria reverterá para custear transporte e estadia do elenco. Na capital paranaense Um Grito Parado No Ar será exibido no Teatro Odelair Rodrigues.
Na temporada de Ribeirão Preto no Espaço Cultural SantelisaVale “Um Grito” foi assistido e aplaudido por mais de 4 mil espectadores.

A peça gira em torno de um grupo de teatro em seu processo de trabalho e as dificuldades que enfrentam dentro e fora dos palcos. Nesta situação o espectador assiste ao processo de criação do ator quando a mística do teatro é desnudada.

A ação de “Um Grito” opera, simultaneamente, um efeito alegórico para atingir um fim realista, qual seja, mostrar o teatro como um local onde se trabalha e se fabrica uma aparência da realidade. Para aumentar a tensão, credores, a todo momento intervém retirando equipamentos e serviços prestados a companhia. Quando despojados de tudo, resta ao grupo de artistas somente um uníssono grito final, símbolo da luta, mas também da sobrevivência frente à opressão reinante.No elenco estão Camila Deleigo, Matheus Gherardi, Nani Silva, Neusa Maria de Souza, Paulo de Oliveira e Roberto Edson. Os figurinos são de Zezé Cherubini e cenários de Marilia Brigagão.

Serviço:
Teatro Municipal de Ribeirão Preto
Terça-Feira e Quarta-Feira, às 21h
Ingresso antecipado: R$15
Na bilheteria: R$30 e R$15 (para estudantes, professores, terceira idade, profissionais liberais, funcionários públicos e classe artística)

7º Aniversário do SantelisaVale

Em comemoração ao 7º aniversário do Espaço Cultural SantelisaVale, a ONG Ribeirão Em Cena reuniu bolsistas, professores e atores que se formaram no curso de iniciação ao teatro pra curtir o som da Banda Motormama, além da canja o "Projeto Correria", do bolsistas Guilherme Abc.





Neste sábado, o site do Ribeirão Em Cena ganhou um novo visual. Em parceria com a "Studio Fogo", empresa de comunicação, o site está repleto de novidades. Vale a pena conferir: http://www.ribeiraoemcena.org.br/

Confira mais fotos da festa no site: http://picasaweb.google.com.br/ribeiraoemcena

terça-feira, 3 de março de 2009

Ribeirão Em Cena na Fundação Casa

Os atores formados na turma da manhã do Curso de Iniciação ao Teatro 2008, com a peça "A Maldição do Vale Negro", fizeram duas apresentações aos internos da Fundação Casa no último final de semana. Cerca de 50 garotos assistiram, aplaudiram e conversaram com o elenco.